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quinta-feira, 30 de maio de 2019

A vida é bela!


“...working with photography’s weaknesses alongside its subjective descriptive strengths is a challenge I enjoy.” Stephen Gill

A melhor maneira de hoje organizarmos o nosso conhecimento artístico e prazer estético passa por sabermos organizar as redes sociais de que mais gostamos. Por exemplo, o Instagram. Seguir, por fascínio e prazer, os autores que descobrimos em cada manhã que passa, e que febrilmente exploramos ao fim do dia, seguindo as suas obras, mas também os seus gostos e escolhas, é uma nova forma de amar a arte e de crescer ao seu lado.

Seguimos obviamente alguns museus, galerias e publicações que admiramos, as quais, por sua vez, retribuem, com a ajuda da inteligência artificial, sugestões e informações sintonizadas com as nossas preferências. A árvore do conhecimento online cresce rapidamente. Quando menos esperamos (na verdade estamos sempre à espera destes momentos!) surgem as surpresas, a descoberta, o amor à primeira vista. Foi o caso esta manhã, quando vi, pela primeira vez, as fotografias de Stephen Gill no Instagram.

Há muito que não encontrava um autor tão livre de estereotipos, tão naturalista, ou, o que o mesmo, tão capaz de nos devolver uma visão espontânea, inteligente e viva das coisas simples e eternas que nos rodeiam e fazem felizes. Num tempo tão marcado pela incerteza e pela paranóia narcisista, arejarmos a vista diante das histórias contadas por este fotógrafo inglês, é uma bênção.

António Cerveira Pinto


Stephen Gill (born 1971) is a British experimental, conceptual and documentary photographer. Books are a key aspect to Gill’s practice. 
Gill is a British photographer, who mainly draws inspiration from his immediate surroundings of inner city life in East London and more recently Sweden with an attempt to make work that reflects, responds and describes the times we live in.
His work is often made up of long-term photo studies exploring and responding to the subjects in great depth. 
[...] 
In January 2003 Gill bought a Bakelite 1960s box camera made by Coronet for 50 pence at Hackney Wick Sunday market, near where he lived. The camera had a plastic lens, and it lacked focus and exposure controls. 
Over the next four years he had used the camera to photograph within the extremely varied environment of Hackney Wick, including waterways and allotments; and to make portraits of people at the Sunday market and who lived and worked in the area. 
The subject parameters to this long-term obsession were geographical rather than conceptual. 
The lack of image clarity that the plastic camera offered aligned very much with Gill’s frame of mind at the time. As such images seemed to deny information, but somehow managed to retain a heightened sense of place and allow the images to breath without forcing a point. 
Wikipedia

Stephen Gill (b. 1971, Bristol, UK) became interested in photography in his early childhood, thanks to his father and interest in insects and initial obsession with collecting bits of pond life to inspect under his microscope. 
“Stephen Gill has learnt this: to haunt the places that haunt him. His photo-accumulations demonstrate a tender vision factored out of experience; alert, watchful, not overeager, wary of that mendacious conceit, ‘closure’. There is always flow, momentum, the sense of a man passing through a place that delights him. A sense of stepping down, immediate engagement, politic exchange. Then he remounts the bicycle and away. Loving retrievals, like a letter to a friend, never possession… What I like about Stephen Gill is that he has learnt to give us only as much as we need, the bones of the bones of the bones…” 
Iain Sinclair

Stephen Gill homepage

domingo, 13 de maio de 2018

O vidro mágico

Axel Morin

Entre o líquido e o sólido na fotografia de Axel Morin


Palácio de Cristal, Londres, 1851 (img), The Home Insurance Building, Chicago, 1885 (img), Industrial Housing, Chicago, 1910-1930 — três dos principais marcos de uma trajetória que nada nem ninguém explicou melhor do que este anúncio de 1919: ”Aladdin Services: a complete home or a complete city”.

The Alladin Company, Bay City, Michigan (1906-1987), Wikipedia


Que têm em comum estes três ícones da cidade moderna? O vidro industrial.

O vidro é um material através do qual sou visto, e através do qual vejo, que deixa passar a luz, que queima a humidade e apaga os bolores acumulados nos espaços interiores, uma superfície omnipresente, mas que não deixa de se esconder na sua própria transparência.

O vidro que permitiu inundar de luz natural as cidades a partir de meados do século 19, começou por ser uma resposta à necessidade de diminuir os custos de iluminação em dezenas de milhar de fábricas e oficinas que trabalhavam dia e noite. Foi também uma maneira de ajudar a superar as crises sanitárias causadas pela ‘segunda revolução industrial’ (1870-1914), nomeadamente em cidades tumultuosas e com grande afluência de imigrantes, como Nova Iorque, Chicago ou Filadélfia. Desde que uma tal emergência gerou a oportunidade para a produção maciça de vidro aplicável em empresas e edifícios de habitação, nunca mais este misterioso material que nem é líquido, nem sólido, nos abandonou. O Pirex de 1908, o vidro superfino dos LCD dos atuais televisores, ecrãs de computador e ‘smartphones’, sucessivamente desenvolvidos por Clint Shay (1964) e pela Corning (1970-1980), passando pelas grandes lâminas de ‘float glass’ desenvolvidas pela Pilkington desde 1953-1957, e que recobrem a maioria dos centros de negócios das grandes cidades, ou os milhares de milhões de lentes utilizadas em óculos, binóculos, telescópios, microscópios, e objetivas para fotografia, cinema, video, testemunham até que ponto o vidro faz parte da vida moderna.

Mas se o vidro industrial foi sendo desenvolvido para podermos ver através de uma janela ampla o pulsar de uma cidade e o que se passa no prédio em frente ao mesmo tempo que o Sol inunda o interior de uma casa, um escritório, uma caixa íngreme de escadas, ou para dotar as lojas com as montras sedutoras que provavelmente inspiraram Marcel Duchamp a produzir o seu Grande Vidro, “La Mariée mise à nu par ses célibataires, même”, outros vidros, chamados lentes, foram extraordinariamente aperfeiçoadas desde finais do século 19, nomeadamente pelo famoso fabricante Carl Zeiss, com o objetivo de observar as estrelas mais distantes, os nossos intestinos, ou a matéria mais pequena, com sistemas oculares tão ou mais perfeitos que a visão humana.

À vista desarmada, sem a mediação transparente de um vidro mágico, a cidade e a arquitetura não podem ser completamente apreciadas, pois falta ao observador o enquadramento e o filtro adequados a um modo de percepção crítica e gozo estético que só a imagem filtrada por um ou mais vidros permite alcançar.

O vidro mágico é uma membrana ultra fina e cristalina de mediação simultaneamente especulativa e sensorial da realidade que nos rodeia.

Axel Morin

Esta será, aliás, uma possível explicação para o fascínio causado em todos nós pela fotografia, criada por um artista como Axel Morin, formada no interior do telescópio espacial Hubble, ou nascida numa ‘selfie’ modelada com os filtros do Snapchat e partilhada efemeramente entre vários amigos.

A produção industrial, nomeadamente de vidros para janelas e fachadas de edifícios, dramaticamente aperfeiçoada entre finais do século 19 e meados do século 20 (‘float glass’), retiraram a arquitetura do mundo das ‘belas artes’, transformando-a numa indústria de construção especializada no fabrico e instalação de máquinas de habitar complexas, articuladas entre si por meio de redes funcionais.

As redes de esgotos, água canalizada, gás e eletricidade, as ruas e as redes ferroviárias e rodoviárias, as redes de iluminação pública e de sinalização para peões e automóveis, as redes de telecomunicações, de logística e de distribuição comercial, as redes de frio, as redes de televisão, de hospitais, e de distribuição cinematográfica, etc., permitiram a passagem do urbanismo palaciano e militar, ao urbanismo democrático, contribuindo assim para a florescência da cidade moderna.

As cidades industriais, que se encheram de populações rurais e de imigrantes de todas as raças em busca do trabalho assalariado, sofreram um processo de densificação tremenda, primeiro na horizontal, depois na vertical, e finalmente através da expansão radial e conurbada.

Para encurtar as distâncias entre a fábrica, os entrepostos logísticos e comerciais e a cama, ou seja, entre a casa, o trabalho e o lazer, as cidades apertaram e viram encarecer não só a malha superficial da propriedade capturada para a construção de imóveis urbanos, como começaram rapidamente a expandir-se em altura e profundidade.

À medida que as redes ferroviárias se multiplicaram e as rodovias se encheram de automóveis, o tecido urbano estendeu-se na forma de subúrbios, cidades-satélite e contínuos urbano-industriais agregando cidades e inter-cidades. O espaço-tempo, isto é o preço da mobilidade, passou a determinar a extensão e a configuração das cidades, bem como a diversidade sociológica e cultural dos seus residentes e da sua população flutuante.

Grosso modo, o nascimento, expansão e maturidade deste paradigma antropológico dá-se entre 1870 e 1970 (Gordon, 2016), sendo particularmente cristalino nos Estados Unidos da América.

Este modo de vida foi o fruto de uma era de crescimento económico, demográfico e industrial muito rápido, sob o impacto do extraordinário desenvolvimento científico e tecnológico europeu (séculos 18, 19, 20), e depois americano (séculos 19, 20). E assenta em formas revolucionárias de trabalho mecânico em larga escala tornado possível pelas máquinas a vapor, pela eletricidade, e pelos motores de explosão.

O carvão mineral e o petróleo são as principais fontes energéticas que possibilitaram este momento ímpar na história da humanidade. Porém, o esgotamento do petróleo e do carvão abundantes e de fácil acesso tornou os seus derivados industriais cada vez mais caros. Quem hoje consome produtos ricos em energia fóssil (por exemplo, adubos, pesticidas, gasolinas, alcatrão, plásticos, ou têxteis sintéticos) tem vindo a perder capacidade de aquisição, endividando-se, ou abrandando por este constrangimento o ritmo da procura dos derivados do petróleo, o que, por sua vez, tende a travar ciclicamente a pressão constante para o aumento do preço de um bem cada vez difícil de obter. Quem, por outro lado, produz derivados do petróleo e do carvão, assim como produtos com elevada densidade energética e petroquímica, tem vindo a deparar-se com custos de produção crescentes à medida que estas matérias-primas vão estando mais longe e a sua extração e transformação consomem mais energia. Ou seja, o preço de venda do petróleo tornou-se caro para quem o consome, barato para quem o produz, e tende a oscilar de forma especulativa nos mercados financeiros.

Esta escassez energética ameaça o futuro do crescimento e a paz nas cidades.

Axel Morin
Detroit, que vive há décadas um processo de decadência extrema, associada à falta de competitividade dos seus automóveis devoradores de gasolina, perdeu 60% da população de 1950 para cá, tornando-se uma cidade violenta, que acabou por declarar falência em 2013.

Desde 1998, mais de cinquenta cidades norte-americanas entraram em bancarrota e pediram auxílio estatal. O declínio demográfico tornou-se dramático em cidades outrora tão importantes, conhecidas ou míticas quanto New Orleans, Dayton, Scranton, Niagara Falls, Buffalo, Pittsburgh, Gary, Cleveland, Youngstown, e a já mencionada Detroit.

A criminalidade urbana tornou-se endémica. A população prisional nos Estados Unidos não parou de aumentar desde finais de 1970 até hoje.

Detroit, entre outros símbolos urbanos da América, foi retratada recentemente pelo fotógrafo urbano francês Axel Morin. Ao observar o seu trabalho sobre a decomposição dos símbolos do Sonho Americano, num projeto a que deu o título “Once upon a time in America” (2015), ficamos com uma certeza: o discurso oficial da cultura e as modas da arquitetura escondem um declínio dramático das cidades. Nas revistas de arquitetura, como nas revistas de arte e de moda, o mundo dos objetos criados por arquitetos, artistas e designers é habitado mais por quimeras rodeadas de retórica, do que pelas esquinas duras da realidade.

E no entanto, artistas como Axel Morin, tal como noutra época, Robert Frank, Larry Clark, Nan Goldin, ou Philip-Lorca diCorcia, conseguem mostrar ao mesmo tempo a realidade dura das esquinas, mas também os poemas que elas exalam. Porque será? Talvez os bons fotógrafos tenham aprendido a observar a vida através de vidros mágicos que não mentem, mas perdoam.

Andy Warhol ficou fascinado com a superficialidade repetitiva dos média, com a ausência de profundidade da imagem noticiosa que incensava ricos, famosos e poderosos. A morte de Marilyn Monroe, e a imagem condoída de Jacqueline Kennedy após o assassinato do seu marido presidente levaram-no a exaltar o realismo mediático nas suas famosas pinturas realizadas com serigrafia sobre tela. A primeira destas obras — Marilyn Diptych (1962) — produziu-a pouco tempo depois do desaparecimento da estrela de cinema, em 1962. Warhol realizou depois mais de trezentas obras com imagens de Jacqueline Kennedy capturadas em jornais e revistas um ano depois do assassinato do presidente americano, a qual ocorrera curiosamente um ano depois da morte misteriosa de Marilyn. Em todas estas imagens repetidas, a realidade que deixara de ser realidade, para ser notícia, sobre-exposição, hiper-realidade, tornar-se-ia, na sua deslocação em direção ao universo da pintura, um novo index da figuração artística.

Daqui a muitos anos que distinção faremos ao comparar as imagens da revista Time com as pinturas de Andy Warhol? Quando observo as fotografias de Axel Morin, mostrando uma realidade que é, afinal, tão democrática quanto a morte mediática de uma estrela de cinema, ou a biografia plástica de uma dama presidencial de luto, a questão crítica e antropológica sobre a natureza e a finalidade da arte na cidade moderna parece-me todavia por resolver. Não subsistem, porém, quaisquer dúvidas sobre a realidade intempestiva dos misteriosos cristais que abriram em nós uma nova perceção do mundo.


Bibliografia

Amy Newson, “Capturing the real essence of New York’s underbelly”, Dazed (2016)
Axel Morin. axelmorin.tumblr.com/ axel-morin.squarespace.com/
Donella H. Meadows, Dennis L. Meadows, Jorgen Randers William W. Behrens III, The Limits to Growth. (1972)
Gordon, Robert J., The Rise and Fall of American Growth: the U.S. standard of living since the Civil War. (2016)
Murray, Charles, Coming Apart: the state of White America, 1960—2010. (2012, 2013)
Pamela Engel and Rob Wile, “11 American Cities That Are Shells Of Their Former Selves” [American Cities in Decline], Business Insider, Jun. 26, 2013, 10:57 AM


NOTA

Este texto foi originariamente publicado na revista Arqa nº 127 (2017)

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Joao Bacelar

JOAO BACELAR
Anna Nevala (Best Models), 2014

Alice on the Other Side of the Catwalk

by ANTÓNIO CERVEIRA PINTO

If anything distinguishes modern and contemporary culture, fashion is the one. In its fragile and ephemeral body, in the tissue that had just landed on the skin of models and their chained movement, fashion calls itself for the narcissism, drawing, cutting, sewing, imagery, eroticism, seduction, nervousness, excitement and beauty of an era marked by urban communication, look, freedom and democracy. Where the female, the male and other genres interact day and nigh. High couture, the last costume and the famous tailor that excited Soren Kierkegaard. In black and white, "prêt-à-porter" and color, what else?
In this frenzy circular chamber a special cat moves with a camera on his hands. It is the artist, hunter of images that propagate through the phases of light as an endless lake. It is Joao Bacelar, the intimate reporter of the invisible dimensions before the parade. The artist as photographer moves uncensored around the backstage of fashion travails, sharing those moments and tensions preceding the catwalk, capturing different language games, shapes, colors and movements emanating from those frenzy days and nights. Alice on the other side of the catwalk, definitely!

This exhibition brings together more than one hundred photographs taken in the backstage of Portuguese fashion parades, with particular emphasis on ModaLisboa events.

JOAO BACELAR: "Alice on the Other Side of the Catwalk"
TALK—a conversation between Joao Bacelar and Antonio Cerveira Pinto. June 3, 7-9 pm
Galeria Luís Serpa Projectos (Lisboa), may 8 - june 19,  2014.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Ryoko Suzuki

Ryoko Suzuki, I am (2011)
Copyright (C) Ryoko Suzuki All rights reserved.

Lost in translation—again?
by ANTÓNIO CERVEIRA PINTO

My name is Ryoko Suzuki and am an artist, born in 1970 in Sapporo, Hokkaido. I am currently working on mainly photograph and I set myself as an “artist”, not an “photographer”. My main themes are gender and sexuality and I always focus on such as self-concsciousness, human being and its desire through my works.

 — Ryoko Suzuki (Shift, October, 2011)

I have been following this Japanese artist since two years now. Her work belongs to a de-constructivist genre. Manga, Anime as well as peculiar Japanese street culture, media and adult entertainment is replayed by Ryoko with a critical twisted distance. In a gentle way though not always.

Ryoko Suzuki, Anikora Kawaii (2009)
Copyright (C) Ryoko Suzuki All rights reserved.
Japan is a country submerged in “cuteness”.

I have been surrounded with “cute” things since childhood and thus they seem natural, but I have come to believe this “cuteness” is unique to Japan.

Along with ANIKORA series 1 and series 2, the purpose of these works is to investigate the desire of men to see “anime” or cartoon characters of young women with child-like face and improbably voluptuous bodieis. It is easy to see how men’s desires are reflected in these characters, but less so how this way of seeing women is expressed in Japan’s culture of “cute” things.


Women who are immersed in the culture of “cuteness”define themselves and present themselves to society as objects of “cuteness”. Being “cute”is the most important value for Japanese young women. But aren’t they losing themselves and their own identities and personalities by trying to become objects of masculine society’s desire for “cuteness”?

— Ryoko Suzuki (Shift, October, 2011)


People become characters in Tokyo Harakuju street fashion walks on Sundays
Japan and the Exhaustion of Consumerism   (October 18, 2012)
By Charles Hugh Smith/ of two minds.com .

All consumerist fashion is based on superficiality and self-indulgence, of course; but if we look at the energy, money and attention "invested" in fashion lifestyles in Japan, we might conclude it is strong evidence that there is plenty of "money and time to burn" in Japan. While that is certainly true, this reliance on consumerist excess for self-identity and pastime is also evidence of a deeply troubled economy and society.

Young people have money and time to burn on outlandish costumes because few earn enough to have their own families or flats. They work part-time for low wages and live at home or in tiny one-room apartments. Few own cars because they 1) don't earn enough to support a car and 2) they're uninterested in acquiring status symbols or prestige signifiers.
This is not just a generational shift: it reflects a realistic understanding that opportunities for secure, high-paying employment have diminished over the past 20 years. There are plenty of low-level jobs, but few with the guarantees that their parents took for granted.
Sound familiar? This reality is playing out in Europe and the U.S. as well.

[...]

 -- Once-egalitarian Japan is becoming a nation of haves and have-nots.

-- More than one-third of the workforce is part-time as companies have shed the famed Japanese lifetime employment system.

-- The slang word "freeter" (for part-time worker) combines the English "free" and the German "arbeiter" or worker.

-- A typical "freeter" wage is 1,000 yen ($12.60) an hour.

-- As long ago as 2001, The Ministry of Health, Labor and Welfare estimated that 50 percent of high school graduates and 30 percent of college graduates now quit their jobs within three years of leaving school.

-- Japan's slump has lasted so long, a "New Lost Generation" is coming of age, joining Japan's first "Lost Generation" which graduated into the bleak job market of the 1990s.

-- These trends have led to an ironic moniker for the Freeter lifestyle: Dame-Ren (No Good People). The Dame-Ren (pronounced dah-may-ren) get by on odd jobs, low-cost living and drastically diminished expectations.

Japanese Harajuku, Tokyo
Dame-Ren (No Good People)
in Adbusters.

This year, Japanese police have officially reported at least eight incidents of what they call “random assaults,” indiscriminate stabbing sprees perpetrated by pathologically lonely, underemployed younger Japanese. Part-timer Tomohiro Kato stabbed 17 and killed seven in June; in July, an underemployed laborer stabbed two women in a bookstore, killing one, and a week later, a frustrated young woman stabbed seven on a busy Tokyo train platform.

In each case, the perps had little or no job security, and nothing else in their lives to provide stability or satisfaction. 

Ryoko Suzuki, Bind, 2011
I wonder if Ryoko's remarks to Japanese gods and devils are inspired in Western humanist approach to life and deadth, to beauty and perversion, or if those remarks translate to us the way a conceptual oriented Japanese artist and woman sees contemporary Japanese reality.

Ryoko Suzuki website

Higlights
Masturbation (1999)
Anikora Kawaii (2009-11)
I am (2011)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Alex Prager

Alex Prager - "The Big Valley; Virginia", 2008.
The new Cindy star of American photography?
by ANTÓNIO CERVEIRA PINTO

I know when I see good stuff! So far the wonderland and nightmares of this young American photographer and film maker (Los Angeles, 1979) tells me that there is future beyond conventional media and old fashion realism. Her images and her perlaborations around Hollywood lost paradise certainly brings a new flavor to ex-voto iconography by Cindy Sherman, the horrors of Paul Mc Carthy, and even Nan Goldin daily dramas. Alex Prager is none of these great artists, nor is she even close to Diane Arbus, neither to my beloved Larry Clark. There's something else out there. Her work make me think, and this is the marvellous uniqueness of all ingenuous outcomes by creative sensible minds. I'm looking forward to know her future images and narratives!

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