domingo, 10 de julho de 2016

Arte e Tecnologia na Segunda Metade do Século XX




Arte e Tecnologia na Segunda Metade do Século XX: O Código como Paradigma

Deu-me um enorme prazer arguir esta bem estruturada e focada, abrangente e pedagógica, tese de doutoramento de José António Gomes de Oliveira, orientada por Margarida Acciaiuoli na Universidade Nova de Lisboa.

Esperemos que alguma editora tenha olho e publique este oportuno e útil ensaio, à semelhança do que em boa hora foi feito com a tese de doutoramento de Sandra Jürgens—Instalações Provisórias.— recentemente publicada.

Outro doutoramento recente sobre temas afins —mais pragmático, por assim dizer— é o da artista, e agora doutora-artista, Adriana Sá, no Goldsmiths's College de Londres. Arte contemporânea ou pós-contemporânea? A dita arte contemporânea é cada vez mais um fruto podre da grande especulação financeira global que anda por aí a desfazer países e a corromper pobres diabos enquanto não desaparece de vez. A arte pós-contemporânea, por outro lado, já chegou, e até a sua arqueologia começa a ser estudada, o que não deixa de revelar-se uma sintomática e boa notícia. Já agora, a história oficial da arte portuguesa contemporânea começa a implodir pelas costuras ;) Falta tão só demolir as suas corruptas instituições e a rede de cumplicidades alcandorada, quase sempre, em dinheiros públicos capturados sem legitimidade, nem vergonha. THREE NEW PhD THESIS YOU MIGHT NEED TO READ OR TEST ...if you really want to know anything useful about post-contemporary Portuguese art:
  • By Jose Antonio Gomes Oliveira: Arte e Tecnologia na Segunda Metade do século XX: O Código como Paradigma
  • By Sandra Vieira Jürgens: Instalações Provisórias
  • Adriana Sa has developed an audiovisual instrument and a corresponding compositional language, based on a perceptual approach.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

From pattern languages to living structures

Do we still have the moral capacity to do it?


I think that only artists and philosophers with programming capacities and the will to code can make a difference and will have any significant influence in the future of arts.

“...the objects that are most profound, functionally, are the ones which also promotes the greatest feelings in us” — Christopher Alexander


Christopher Alexander - Patterns in Architecture

The following presentation was recorded live in San Jose, California, October of 1996, at The 1996 ACM Conference on Object-Oriented Programs, Systems, Languages and Applications (OOPSLA).

terça-feira, 5 de abril de 2016

Casbá de Belém



A prepotência partidária não tem cor. É prepotência. Ponto!


Um administrador nomeado por um Governo deve pôr de imediato o seu lugar à disposição quando o Governo muda. O CCB não é uma direção-geral, não é um instituto público. Não é um órgão administrativo que possa ser dirigido por qualquer gestor desde que se ache bom gestor. É um lugar de confiança política, porque concretiza, com ampla liberdade, uma política. Para mim, pôr o lugar à disposição é uma clara exigência ética. Sei que neste ponto, como nos que refiro acima, a minha opinião vai contra o que, talvez maioritariamente, as pessoas pensam. Por isso a dou. 
Miguel Lobo Antunes, in "Não há nada a mudar no modelo do CCB". Público, 4/4/2016

Ponto número 1: a Fundação CCB não é uma verdadeira fundação, pois depende sobretudo do Estado (único fundador) e do governo de turno, ou seja, não passa, institucional e politicamente, de um aborto jurídico-partidário, e de um subterfúgio legal ao funcionamento decente de uma res publica.

Ponto número 2: se o Presidente deste aborto burocrático do Estado deve demitir-se sempre que muda o governo, pergunto: trata-se esta de uma regra única, ou aplica-se a todos os outros domínios da coisa pública, incluindo a Caixa Geral de Depósitos e a sua Culturgest? É que a pública Caixa não só se encontra numa situação em tudo similar à do CCB, como recorre pesadamente aos bolsos dos contribuintes. Muito mais do que o CCB!!!

Eu aprecio a tomada de posição frontal de Miguel Lobo Antunes. Mas apreciaria ainda mais que debatesse comigo, ou com quem entender, a sua tese. Pois acho que não tem a mínima sustentação.


POST SCRIPTUM

O precariado de Serralves — à atenção da esquerda à esquerda do PS

Serralves movida a falsos recibos verdes 
Precários Inflexíveis. Março 3, 2016 - Recibos Verdes 
Esta semana os Precários tiveram acesso a um contrato que a empresa EGOR faz aos promotores que trabalham em Serralves. Este contrato é claro: é uma “oferta de trabalho”, tem uma função definida com uma descrição pormenorizada, define o local de trabalho e a remuneração destes trabalhadores, define o fardamento, no entanto, as pessoas estão em regime de prestação de serviços. São falsos recibos verdes. Todas estas pessoas deviam ter um contrato de trabalho. 
Repare-se: é impossível Serralves trabalhar sem promotores, porque, como o contrato bem explicita, fazem a receção de visitantes, a venda de bilhetes, o encaminhamento de visitantes, tarefas sem as quais Serralves não funciona. 
A situação é ilegal e, por isso, os Precários já enviaram uma notificação à Autoridade para as Condições do Trabalho para que investigue esta questão com urgência.
Nas últimas semanas temos descoberto a presença de falsos recibos verdes em muitas salas de espetáculo: CCB, Teatro Nacional de São João, Teatro Nacional de S. Carlos e Teatro Camões. Agora junta-se à lista Serralves. 
Serralves 
Ganhem Vergonha 
De acordo com relatos de antigos e actuais trabalhadores de Serralves recolhidos pela Plataforma Ganhem Vergonha, diversos postos permanentes da Fundação são ocupados ilegalmente ou, no mínimo, de forma dissimulada. Os falsos prestadores de serviços são apenas uma parcela de uma vasta força de mão-de-obra — composta por jovens licenciados e mestres, com idades entre os 22 e os 32 anos — indispensável para o funcionamento do museu. Têm vínculos de 25 a 40 horas e recebem cerca des 550 euros mensais, somada a remuneração ao subsídio de alimentação. 
(...) 
Todos — quer os contratados a termo incerto quer os que passam recibos verdes — têm objectivos mensais relativos à angariação de Amigos de Serralves. Quem trabalha em postos comerciais (livraria, loja e balcão) tem ainda objetivos de vendas, definidos com metas elevadas e pouco transparentes, que são atingidas três ou quatro vezes por ano. Como prémio, recebem vouchers de 25 euros para consumo interno e vouchers de 50 euros para serviços da Sonae Sierra , atribuídos pela Egor. A lei, no entanto, diz que a retribuição pelo trabalho prestado (incluindo prémios) deve ser satisfeita em dinheiro (ou de forma equivalente que possa ser transformada em dinheiro, como por exemplo em cheque) e não em papel, que obriga o trabalhador a consumir bens em determinado operador ou empresa, sem livre escolha.